Polícia Federal tem aval da Justiça Eleitoral para ouvir David Almeida em investigação sobre compra de votos em 2024

Prefeito de Manaus, David Almeida, durante posse nesta quarta-feira (1º) Rede Amazônica A Polícia Federal (PF) foi autorizada pela Justiça Eleitoral a ouvir...

Polícia Federal tem aval da Justiça Eleitoral para ouvir David Almeida em investigação sobre compra de votos em 2024
Polícia Federal tem aval da Justiça Eleitoral para ouvir David Almeida em investigação sobre compra de votos em 2024 (Foto: Reprodução)

Prefeito de Manaus, David Almeida, durante posse nesta quarta-feira (1º) Rede Amazônica A Polícia Federal (PF) foi autorizada pela Justiça Eleitoral a ouvir o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, no inquérito que apura uma suposta compra de votos envolvendo a campanha para reeleição ao cargo de prefeito, em 2024, e pastores da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB). A data do depoimento ainda não foi definida. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (16) pelo juiz eleitoral Antônio Itamar de Souza Gonzaga, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), após consulta feita pelo delegado Eduardo Zózimo, responsável pela investigação. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Em julho deste ano, o delegado questionou se havia algum impedimento legal para ouvir David Almeida e afirmou que o depoimento seria "pertinente, útil e potencialmente esclarecedor para a completa elucidação dos fatos investigados". Cinco dias antes da decisão, o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou favoravelmente à prestação do depoimento. O promotor Jorge Alberto Gomes Damasceno entendeu que não caberia, neste caso, a aplicação de foro privilegiado. Segundo o promotor, quando os fatos investigados ocorreram, David Almeida havia se afastado do cargo de prefeito para disputar a reeleição. Portanto, o inquérito seria inteiramente no contexto da campanha eleitoral, não relacionado com as atribuições de David Almeida no cargo de prefeito. O inquérito continua em andamento e teve o prazo prorrogado por mais 90 dias. A Polícia Federal tem até 7 de dezembro para concluir as investigações. Autoridades envolvidas no processo que tramita no TRE-AM ressaltaram que ainda não há provas do envolvimento direto de David Almeida no caso investigado, e que o aval dado ao delegado para ouvi-lo não é uma sentença de culpa. Em entrevista concedida ao JAM1 nesta quinta-feira (17), David Almeida utilizou o mesmo argumento e afirmou que a denúncia não representa uma condenação, e que os próprios investigados ligados à igreja afirmam não ter ligação com a campanha dele. "Uma denúncia não é uma sentença", afirmou. Em março, porém, um vídeo divulgado pelo g1 mostrou o pastor Flaviano Paes Negreiros, investigado no caso, afirmando que R$38 mil em dinheiro haviam sido doados por uma pessoa ligada ao então prefeito. Veja abaixo: Pastor diz ter recebido R$ 38 mil de aliado de David Almeida em eleição de 2024 Em nota, David Almeida afirmou que acompanha com serenidade a movimentação atual do processo e reiterou que, em 2024, foi legitimamente reeleito prefeito de Manaus, pela vontade popular, expressa nas urnas. "Como principal interessado no esclarecimento dos fatos, (David Alemida) mantém sua confiança nas instituições e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários", conclui. Relembre o caso A investigação teve início na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024, quando a Polícia Federal recebeu uma denúncia acompanhada de uma mensagem atribuída à direção da igreja, orientando pastores que votavam em Manaus a comparecerem a um imóvel no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte da capital, em data e horário específicos. Dois policiais federais foram até o endereço para verificar a denúncia. Em depoimento à polícia, um dos agentes afirmou ter encontrado uma mochila e uma sacola contendo diversos envelopes brancos, cada um com R$ 200 em dinheiro. Outro policial relatou que as pessoas presentes informaram que os valores haviam sido entregues na noite anterior para serem distribuídos naquela manhã. Segundo o depoimento, o grupo afirmou que havia recebido R$ 38 mil para distribuição. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 21 mil em espécie e quatro celulares. Conforme os depoimentos colhidos pela investigação, o dinheiro encontrado seria parte dos R$ 38 mil que teriam sido recebidos de pessoas ligadas à campanha do então ex-prefeito David Almeida. Os mesmos relatos apontam que os valores teriam sido levados ao local pelo pastor Eliezer Souza. Na ocasião, dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante: Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ex-presidente e vice-presidente da instituição. Os dois pagaram fiança de R$ 15 mil cada e passaram a responder ao inquérito em liberdade. Prefeito de Manaus aparece em inquérito da PF que investiga denúncia de compra de votos Dos quatro celulares apreendidos, dois foram devolvidos aos proprietários após a perícia não identificar elementos considerados relevantes para a investigação. Os outros dois permaneceram sob análise da Polícia Federal. Após a inclusão do documento nos autos, o delegado responsável solicitou mais 90 dias para concluir as diligências. O pedido foi aceito pela Justiça Eleitoral, mas o prazo expirou sem que o inquérito fosse finalizado. O laudo pericial dos celulares apreendidos durante a operação foi juntado ao processo apenas em março deste ano, dias depois de reportagem da Rede Amazônica mostrar que o resultado da análise técnica ainda não havia sido encaminhado à Justiça Eleitoral. Perícia identificou mensagens Nos aparelhos analisados, a Polícia Federal identificou trocas de mensagens e áudios entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro de David Almeida. O laudo também descreve uma fotografia apenas como a de uma “pessoa palestrando”. Segundo a fonte ouvida pela reportagem, o homem retratado seria César Marques, presidente do partido Agir no Amazonas. Ele também aparece em outra foto ao lado de Gabriel Alexandre da Silva Lima e dos pastores citados na investigação. A fonte afirmou que César Marques participou de uma reunião para falar sobre política e pedir votos. Prints mostram líder religioso cobrando valores prometidos por genro do prefeito de Manaus para apoio durante eleição de 2024 Divulgação/PF De acordo com documento que consta no processo, em tese, uma estrutura organizada teria mobilizado lideranças religiosas voltadas ao apoio eleitoral e reeleição de David Almeida. A PF ressaltou, no entanto, que, até o momento, não foram produzidos elementos diretos que demonstrem a participação pessoal de David Almeida nas reuniões investigadas, na autorização de repasses financeiros, na distribuição de valores ou nas tratativas identificadas durante a investigação. Mesmo assim, considerou importante esclarecer qual era a atuação de Gabriel na campanha de 2024, o grau de autonomia exercido por ele junto às lideranças religiosas e comunitárias e se David Almeida tinha conhecimento das tratativas investigadas.